quinta-feira, Maio 08, 2008

Horta Popular Graça - Mouraria

As hortas em meio urbano são uma realidade em muitos países do Mundo, nas vertentes comunitária, de lazer ou de suporte ao rendimento familiar. A sua presença embeleza os bairros que as acolhem e ajuda a criar um espírito de amizade nos que regularmente se encontram para cultivar os frutos da terra, estimulando uma partilha de saberes.


Horta Popular - O que é?

De uma forma simples, uma horta popular ou comunitária é um espaço verde onde as pessoas se encontram e cultivam vegetais ou flores, num terreno comum ou dividido em pequenos talhões para cada hortelão. Ao contrário de outros espaços verdes da cidade, a sua manutenção é feita pelos próprios utilizadores do espaço e não por profissionais.


Para que serve?

As valências de uma horta popular são muitas e variadas, com benefícios tanto em termos ecológicos como sociais. O aumento do sentimento de pertença a uma comunidade, das relações de vizinhança e de conexão com a natureza são alguns dos efeitos sentidos por aqueles que cultivam os seus vegetais ou flores numa horta popular. De uma forma um pouco mais sistematizada, temos como efeitos benéficos:

- melhoria da qualidade de vida;
- desenvolvimento das relações de vizinhança e de comunidade, estimulando a interacção social;
- aumento do sentimento de auto-estima;
- embelezamento do bairro;
- produção de comida nutritiva e redução das despesas familiares com alimentos frescos;
- criação de oportunidades para recreação, lazer, exercício físico, terapia e educação;
- aumento das oportunidades para inter-relacionamento entre gerações, idosos e crianças;
- criação de habitats para espécies animais e vegetais;
- funciona como regulador da ilha de calor urbano;
- ajuda na regulação do ciclo hidrológico e na prevenção de cheias, ao ser local de infiltração de águas;
- diminuição da quantidade de lixo, ao reaproveitar resíduos alimentares domésticos para composto.


O caso específico da Freguesia da Graça – onde se situa a Horta Popular?

Na intersecção da Calçada do Monte com a Rua Damasceno Monteiro, freguesia da Graça, existe um terreno que se apresenta abandonado há largos anos. Durante algum tempo houve alguns moradores que lá cultivavam os seus legumes, mas há quase uma década que essa actividade desapareceu. É nesse local, com excelente exposição solar, que está a nascer a Horta Popular, aproveitando também as árvores já existentes para criar agradáveis espaços para contemplação do casario e do rio, leitura ou conversa.


Que objectivos temos?

No projecto que estamos a desenvolver, pretendemos incentivar alguns saberes e conhecimentos específicos junto da população do bairro, a saber:

1. Como fazer adubo orgânico a partir de restos de alimentos vegetais;
2. Como criar plantas aromáticas e hortaliças sem recorrer ao uso de pesticidas tóxicos e adubos sintéticos;
3. Ensinar às crianças do bairro como crescem alguns dos alimentos que elas todos os dias consomem, restabelecendo a ligação entre o ser humano e a terra que o alimenta;
4. Criar um agradável espaço comunal, onde seja possível não apenas cultivar a terra mas partilhar saberes através de conversas descontraídas, reforçando laços de vizinhança e sentimentos de pertença ao bairro.


Como poderá o espaço da horta ser organizado?

A horta localiza-se numa vertente exposta a Sudoeste, com muito boa exposição solar. Distinguimos três zonas na horta. Uma zona plana com três pinheiros mansos, na parte superior. Esta é a parte mais indicada para a colocação de algumas plantas aromáticas e flores, mesas, cadeiras e eventualmente um baloiço. Local preferencial para realização de piqueniques, conversas, contemplação do casario do bairro, do Castelo de S. Jorge e do Rio Tejo.
A segunda zona é a da horta propriamente dita, onde se cultivam diversas variedades hortícolas em vários talhões comunais. É a zona de inclinação intermédia, o que ainda assim não dispensa a construção de pequenos socalcos.
Por fim, identificámos uma terceira zona, a que apresenta o declive mais acentuado, que pensamos utilizar como pomar. Dado que está a norte da parte hortícola, não existe problema com a projecção de sombra das árvores de fruto sobre as hortícolas.
Transversal a estas três zonas, pensámos em algumas infraestruturas de apoio, como uma casinha para sementes e ferramentas, uma casa-de-banho e um mini-bar.
À medida que o nosso conhecimento sobre o terreno fôr aumentando, pequenos ajustes surgirão necessariamente.


Compatibilização com usos actuais do espaço

Recuando um pouco atrás, é necessário admitir que o espaço não está totalmente abandonado. É utilizado como latrina de cães dos moradores. Como é importante que os animais tenham um local onde defecar, para manter os passeios adjacentes em boas condições higiénicas, definimos igualmente um local para servir como casa-de-banho para cães.

Retirado do blogue Horta Popular.

segunda-feira, Março 03, 2008

Declaração de intenções

O anarquismo verde é uma síntese que resulta de duas tradições políticas, ambas tão velhas quanto a História. De facto toda a História humana pode ser interpretada com base no furto da terra e o furto da liberdade dos homens, a supressão dos verdes e a supressão dos anarquistas.

Actualmente nas ruas das cidades as duas tradições, os hippies e os punks, unem-se com o propósito de confrontar a autoridade. Em Stonehenge, unidos, combatem o mesmo combate. O Greenpeace, o Peace Convoy, a libertação animal, os grupos do Terceiro Mundo e os ecologistas radicais começam a convergir num movimento que irá mudar o mundo.

Esperamos que a ‘Green Anarchist’ una pessoas que estejam cientes das consequências causadas pela sociedade exploradora dos recursos naturais e das pessoas. O pensamento anarquista há muito que possui um longo historial de preocupações nas quais também se revêem os movimentos ecologistas. As obras “Campos, Fábricas e Oficinas”, “A Conquista do Pão” e “Ajuda Mutua” de Kropotkine, todas elas, exprimem preocupações acerca do meio ambiente natural como fazendo este parte do processo de libertação.

Existem, igualmente, muitas pessoas no movimento ecologista desgostosas com os partidos políticos que, amarrados às mesmas instituições que exploraram o mundo natural, viram as pessoas umas contra as outras e desenvolvem técnicas mortíferas a um ritmo tal no qual será possível uma destruição total.

Os anarquistas acreditam que o poder instituído na forma do Estado, e a obediência das pessoas a esse poder, deram origem à situação na qual se encontra actualmente a humanidade. Os primeiros Estados poderosos existentes no Mediterrâneo, com as suas pressões sobre o meio ambiente circundante e os seus métodos de agricultura abusivos, causaram uma rápida extensão das áreas desertas. Actualmente a exploração é global: as técnicas modernas podem causar uma confusão tal que jamais poderia ter sido causada por homens com enxadas.

Embora as possibilidades de autodestruição sejam imensas, também o são as possibilidades de criar um mundo satisfatório e razoavelmente bem alimentado. Uma abordagem mais racional à agricultura, à transportação e à produção é algo que se encontra inibido apenas devido a um sistema de poder que se baseia num sistema financeiro e político no qual as pessoas são privadas do mais mínimo controlo sobre as forças que governam as suas vidas. Não existem quaisquer dúvidas acerca da capacidade das pessoas em se autogerirem, tal foi possível na Espanha de 1936 sob as circunstâncias mais difíceis.

Numa situação que aparenta tornar-se cada vez mais hostil, esperamos criar uma revista que encoraje o esforço de cooperação: que foque o tipo de acção directa levada a cabo pelo Greenpeace; que encoraje o movimento antinuclear a tomar formas de acção directa como sendo mais que um meio de desafiar o Estado nuclear, mas que sejam também um meio de desencorajar a obediência descerebrada: participar em acções de autogestão que dêem origem a uma corrente de pensamento acerca de uma sociedade autogerida.

Green Anarchist #01, Julho de 1984

segunda-feira, Fevereiro 25, 2008

domingo, Novembro 25, 2007

O trabalho como arma reaccionária

O que me leva a escrever este texto é a constatação de um facto que, pelo menos a mim, me incomoda: não pude deixar de notar que a actividade dos nossos colectivos (tanto o CEA em Portugal como o ED no Brasil) decresceu aquando do início de uma actividade laboral por parte de integrantes de ambos os lados do Atlântico. Ou seja: quando começamos a trabalhar, a nossa disponibilidade para levar a cabo trabalho revolucionário decresceu enormemente, tanto por falta de tempo como por cansaço.

O trabalho obrigatório, o esclavagismo das 9h às 5h, ou outros horários menos nobres, dívidas oblige, tornou-se uma parte integral da sociedade moderna, é uma parte tão integral que tanto os comunistas como os anarquistas convencionais já discordam somente acerca da divisão dos lucros criados por esse esclavagismo e nunca, jamais, acerca da natureza do próprio trabalho.

E porque trabalhamos? Porque vivemos! O trabalho tem um papel tão proeminente na sociedade actual que é considerado como algo natural, como parte essencial e prioritária da vida. Eu disse prioritária? Pois sim, o homem moderno vive para trabalhar, façam um pequeno cálculo acerca do tempo que passam no trabalho, a caminho dele ou no regresso dele e depois comparem com o tempo que passam com a vossa família ou a fazer algo de que realmente gostam e consideram útil.

Voltemos um pouco atrás e analisemos a minha referência o trabalho como esclavagismo remunerado, ora bem, esclavagismo porquê? Todo o trabalho forçado, efectuado contra a vontade de quem o desempenha, deve ser considerado esclavagismo. E porque trabalhamos? Não é só porque vivemos, nem tampouco para comer, a esmagadora maioria do homem comum moderno trabalha… para pagar dívidas. Exacto, dívidas, o homem moderno trabalha para pagar os empréstimos que os bancos lhe cederam para obter uma casa ou, em muitos casos, uma viatura poluente alimentada com recursos orgânicos não renováveis (leia-se: a gás ou derivados de petróleo).

Portanto, o homem moderno trabalha e recebe uma determinada quantia do seu patrão (capitalista, uma vez que a maior parte das empresas fazem parte de conglomerados multinacionais) e depois entrega a maior parte dessa mesma quantia ao banco (outra entidade capitalista). Ou seja, o dinheiro acaba por nunca sair das mãos do capitalismo, está nas mãos do trabalhador apenas como mera ilusão passageira, passa de uma entidade capitalista para outra entidade capitalista.

Mas regressemos ao cerne deste artigo: o trabalho como arma da reacção! Quanto mais atarefados estiverem os homens, e mulheres, modernas com o pagamento de dívidas e empréstimos, por vezes para comprarem coisas de que realmente não necessitam, pouco ou nenhum tempo sobrará para analisarem o mundo em que vivem nem sequer as condições em que são forçados a viver, e nunca raciocinam acerca do percurso do deu dinheiro, que circula por si mesmo. Se não conseguem analisar o mundo nem as condições em que vivem, muito pouco se poderão revoltar uma vez que nem percebem quão explorados estão sendo. E sem revolta não poderá existir uma revolução.

Não sugiro que nos mudemos todos para uma cabana na selva como Ted Katzinsky fez, e muito bem, e que a partir daí analisemos os problemas da sociedade moderna, se bem que isso seria um bom começo, um óptimo começo. O que peço é que pelo menos parem um pouco e considerem o vosso papel nesta sociedade, ponderem sobre o que lhes aconteceria se amanhã deixassem de trabalhar, descubram que são escravos. É que, muito sinceramente, é impossível uma revolta dos escravos sem que estes percebam primeiro que são escravos. Depois de reconhecerem o papel que desempenham actualmente, depois de reconhecerem que realmente são obrigados a trabalhar e que nem fazem um trabalho de que gostem, então, com essa consciência adquirida da condição de escravo, será possível levar a cabo uma revolta dos escravos contra os seus mestres.

A sociedade moderna não durará para sempre, embora os políticos insistam que é sempre necessário trabalhar mais arduamente e por mais tempo para desenvolver a economia e a autonomia nacional, já muitas pessoas despertam para a realidade artificial que são os Estados-Nação e as pátrias, instrumentos criados artificialmente há milhares de anos para benefício de uns poucos e exploração de muitos. Mesmo actualmente o ser humano retém a sua capacidade de identificação identitária ao local, ao comunitário, uma reminiscência do espírito tribal ancestral, que ainda bate forte no peito destes selvagens domesticados e escravizados à força.

Não sei se conhecem Robert Charroux, caso não conheçam explico já que é um arqueólogo um tanto ou quanto louco, provavelmente tão louco quanto se possa ser louco e mesmo assim conseguir publicar e vender livros. De quando em vez leio Charroux, não porque as suas teses loucas me divertem, mas porque me dá esperança. E esperança porquê? Ora bem, uma das teses de Robert Charroux é de que a civilização é cíclica, nós evoluímos, inventamos, depois acabamos por ir longe demais e destruímos tudo, quando destruímos tudo o homem regressa ao seu estado primitivo original. O mesmo nos seus livros acredita que a civilização moderna não é nada de novo, já por muitas vezes tivemos sociedades como este e, defende ele, muito mais avançadas que esta, com viagens planetárias inclusive, mas todas implodiram e o homem regressou ao sue estado primitivo ancestral, infelizmente – para nós – recomeçando a civilizar-se e a modernizar-se.

Pode ser uma tese louca, pois quem a promove certamente que me parece louco (basta dar uma olhada aos títulos dos capítulos dos seus livros), mas por ser louco não significa que não tenha alguma razão. Parece-me reflectir o desejo que muitos de nós têm de destruição desta sociedade moderna, castradora e esclavagista, o desejo de um regresso ao nosso papel complementar da mãe Natureza.

terça-feira, Agosto 21, 2007

uma verdade deprimente

segunda-feira, Agosto 20, 2007

bakunine dixit

sexta-feira, Julho 27, 2007

exemplo de acção directa não violenta


Tampas de esgotos roubadas, paredes de estações de metropolitano impregnadas com ácido sulfúrico, carros incendiados: em Berlim, relata a agência Lusa, está a aparecer um novo tipo de criminalidade que dá preocupações acrescidas à polícia.

Incendiar carros de luxo ou esvaziar-lhes os pneus tornou-se um dos "desportos" favoritos de ambientalistas radicais. Este ano, o número de veículos de gama alta incendiados na capital alemã já vai em 78, mais do dobro dos casos ocorridos em 2006.

O fenómeno não atinge só Berlim, mas a maior metrópole do país, com 3,5 milhões de habitantes, leva a dianteira neste tipo de delitos que a polícia criminal tem tido muitas dificuldades em esclarecer. Embora tenham sido detidos, ao longo do ano, 14 suspeitos, todos jovens ligados à extrema-esquerda, continuou a aumentar o número de carros incendiados e a "cena" autónoma parece apostada em provar a sua militância.

Um porta-voz do Senado berlinense revelou que a situação se agravou após uma publicação de extrema-esquerda ter apelado a uma espécie de "concurso" entre várias cidades para incendiar carros de luxo ou partir-lhes os pára-brisas. "Não sei se a publicação já declarou quem venceu o tal concurso, mas não há dúvida de que Berlim está num dos lugares da frente", adiantou o responsável.

Um novo tipo de crime desafia polícia de Berlim